Io non sono turista, sono qui per vivere…
Fico um pouco aborrecido quando me chamam de turista. Não com quem pergunta, mas é porque minha opinião a respeito do termo “turista” é muito diferente do comum e do que eu tento ser. Minha visão do turista é aquele japonês que sai do hotel com sua câmera de última geração, bate fotos de todos os quadros da Galeria de Brera – uma excelente galeria milanesa – por exemplo, mas volta para o hotel sem ter apreciado nem uma obra. Mais que isso, o turista vai pra Roma para ver o Coliseu (foto) e a Fontana de Trevi, obras maravilhosas da história, mas que perdem todo seu significado sem a percepção da cultura em torno delas. É mais fácil para ele fazer o que mandam ele fazer, seguir o guia turístico.
Mas eu respeito, sei que para o “turista” é muito difícil dar o próximo passo na direção de realmente apreciar outra cultura: conhece-la, seguindo de compreende-la e por fim vive-la. São várias as barreiras. Linguagem é um grande marco, quanto mais consigo me expressar da maneira que os locais falam mais eu consigo interagir de uma maneira mais natural. Os lugares que a população local frequenta sempre é diferente de onde o turista vai, não me chocaria saber que ele foi pra Roma e não conheceu nenhum romano, afinal, sempre com sua excursão, seguindo o guia turístico, fica difícil mesmo sair desse ambiente alienado. Por fim, o que eu considero a ultima barreira, é igual até quando não se está viajado, conhecer pessoas. Quais valores são semelhantes? quais os interesses dessa pessoa? deve ser um grosso… ou não? nem deve se interessar em conversar comigo… ou não? e para isso minha técnica é só uma: arriscar.
Portanto, tenho sempre uma boa resposta quando me perguntam o que eu estou fazendo aqui em outro pais. Vivendo minha vida. Não tenho a pretensão de bater foto de todos os pontos turísticos, nem mesmo conhece-los. E muito menos de achar que eu sou local. Mas entre esses dois extremos eu espero conseguir viver tranquilamente no lugar que eu escolhi passar um tempo da minha vida. De poder conhecer alguém daqui sem ser rotulado “turista”, compreender os aspectos culturais da população. Perceber o meio ambiente ao meu redor. Saber um pouco da história. Apreciar a sutileza dos detalhes dessa cultura que eu estou vivendo.. e é isso o que eu acho o mais importante, viver.
